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O Rei e o Cadáver - História 7

O Rei, o Brâmane e o Corpo de Outro


Havia um rei chamado Chandrapala , que possuía um conselheiro muito sábio e idoso, um brâmane que conhecia os segredos do yoga e da transmigração das almas.

Certo dia, um jovem e belo brâmane chegou à corte. Ele era extremamente pobre, mas possuía um conhecimento vasto. O rei, encantado com o jovem, ofereceu-lhe moradia e riqueza. Contudo, o conselheiro idoso, com inveja da juventude e da inteligência do recém-chegado, decidiu usar seus poderes para um fim egoísta.

O conselheiro idoso sabia o segredo de entrar no corpo de outra pessoa . Ele fingiu estar morrendo e pediu ao jovem brâmane que se aproximasse. Naquele momento, o idoso abandonou seu próprio corpo decrépito e "saltou" para dentro do corpo do jovem, expulsando a alma original.

O Fenômeno Estranho

Nesse exato momento, o corpo do jovem brâmane (agora habitado pela alma do velho) começou a rir e chorar ao mesmo tempo .

  • Ele ria com uma alegria triunfante.

  • Ele chorava com uma tristeza profunda.

O Rei e a corte ficaram horrorizados e confusos, sem entender como alguém poderia expressar as duas emoções mais extremas de forma simultânea.

O Dilema do Vetala

O Vetala pergunta ao Rei Vikram: "Diga-me, ó Rei: Por que o jovem (agora habitado pelo velho) riu e chorou ao mesmo tempo? Qual era o pensamento por trás de cada uma dessas emoções? Se você não descobrir explicar a alma deste homem, sua cabeça cairá!"

A Resposta do Rei Vikram

Vikram, que entende como profundo da mente humana, responde:

"Ele chorou porque estava abandonando o corpo em que viveu por décadas; por mais que fosse velho e fraco, era o corpo que continha todas as suas memórias, sua história e sua identidade antiga. Foi o choro da despedida e da perda de si mesmo.Ele riu porque teve sucesso em seu truque egoísta. Ele riu da sua vitória sobre a morte e da sua esperança ao 'roubar' a juventude, a beleza e o futuro daquela jovem. Foi o riso do triunfo do ego sobre a ordem natural das coisas."

A Reflexão de Zimmer

Zimmer usa este conto para discutir a Dualidade do Ego :

  • O Apego à Forma: Mesmo quando algo nos prejudica (como um corpo velho e doente), temos dificuldade em soltá-lo. O choro do brâmane mostra que o ser humano é apegado à sua dor e à sua história pessoal.

  • A Ilusão da Eterna Juventude: O riso representa a hubris (arrogância) humana de acreditar que pode trapacear o destino e o tempo através da técnica ou da magia.

  • A Fragmentação: Zimmer aponta que viver "no corpo de outro" é a metáfora máxima para a inautenticidade. O homem que não aceita seu próprio ciclo de vida torna-se uma criatura dividida, que ri e chora porque não habita verdadeiramente a si mesmo.

Mal a resposta termina, o Vetala solta sua gargalhada (talvez ecoando o riso do brâmane do conto) e retorna para o topo da árvore. Vikram, com uma paciência que já beira o divino, volta para buscá-lo.

 
 
 

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