O Rei e o Cadáver - História 7
- sitesconex
- 19 de jan.
- 2 min de leitura
O Rei, o Brâmane e o Corpo de Outro
Havia um rei chamado Chandrapala , que possuía um conselheiro muito sábio e idoso, um brâmane que conhecia os segredos do yoga e da transmigração das almas.
Certo dia, um jovem e belo brâmane chegou à corte. Ele era extremamente pobre, mas possuía um conhecimento vasto. O rei, encantado com o jovem, ofereceu-lhe moradia e riqueza. Contudo, o conselheiro idoso, com inveja da juventude e da inteligência do recém-chegado, decidiu usar seus poderes para um fim egoísta.
O conselheiro idoso sabia o segredo de entrar no corpo de outra pessoa . Ele fingiu estar morrendo e pediu ao jovem brâmane que se aproximasse. Naquele momento, o idoso abandonou seu próprio corpo decrépito e "saltou" para dentro do corpo do jovem, expulsando a alma original.
O Fenômeno Estranho
Nesse exato momento, o corpo do jovem brâmane (agora habitado pela alma do velho) começou a rir e chorar ao mesmo tempo .
Ele ria com uma alegria triunfante.
Ele chorava com uma tristeza profunda.
O Rei e a corte ficaram horrorizados e confusos, sem entender como alguém poderia expressar as duas emoções mais extremas de forma simultânea.
O Dilema do Vetala
O Vetala pergunta ao Rei Vikram: "Diga-me, ó Rei: Por que o jovem (agora habitado pelo velho) riu e chorou ao mesmo tempo? Qual era o pensamento por trás de cada uma dessas emoções? Se você não descobrir explicar a alma deste homem, sua cabeça cairá!"
A Resposta do Rei Vikram
Vikram, que entende como profundo da mente humana, responde:
"Ele chorou porque estava abandonando o corpo em que viveu por décadas; por mais que fosse velho e fraco, era o corpo que continha todas as suas memórias, sua história e sua identidade antiga. Foi o choro da despedida e da perda de si mesmo.Ele riu porque teve sucesso em seu truque egoísta. Ele riu da sua vitória sobre a morte e da sua esperança ao 'roubar' a juventude, a beleza e o futuro daquela jovem. Foi o riso do triunfo do ego sobre a ordem natural das coisas."
A Reflexão de Zimmer
Zimmer usa este conto para discutir a Dualidade do Ego :
O Apego à Forma: Mesmo quando algo nos prejudica (como um corpo velho e doente), temos dificuldade em soltá-lo. O choro do brâmane mostra que o ser humano é apegado à sua dor e à sua história pessoal.
A Ilusão da Eterna Juventude: O riso representa a hubris (arrogância) humana de acreditar que pode trapacear o destino e o tempo através da técnica ou da magia.
A Fragmentação: Zimmer aponta que viver "no corpo de outro" é a metáfora máxima para a inautenticidade. O homem que não aceita seu próprio ciclo de vida torna-se uma criatura dividida, que ri e chora porque não habita verdadeiramente a si mesmo.
Mal a resposta termina, o Vetala solta sua gargalhada (talvez ecoando o riso do brâmane do conto) e retorna para o topo da árvore. Vikram, com uma paciência que já beira o divino, volta para buscá-lo.


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