O Rei e o Cadáver - História 4
- sitesconex
- 19 de jan.
- 2 min de leitura

O Rei Shudraka (o mesmo da história anterior, mas em uma nova narrativa) tinha um cortesão fiel chamado Satyavrata . Um dia, enquanto viajava, Satyavrata viu uma jovem de beleza divina chamada Vilasvati . Ela era filha de um simples pescador, pertencente à casta dos Shudras (uma classe trabalhadora, considerada inferior na classificação da época).
Apesar da diferença de classe, Satyavrata ficou tão hipnotizado por ela que correu ao Rei para descrevê-la. Ele disse: "Majestade, encontrei uma joia que não pertence a um pescador, mas a um trono. Sua beleza é tão vasta que ela deveria ser sua rainha".
O Rei, confiando no julgamento do cortesão, emissários invejosos para pedir a mão da moça. No entanto, quando Vilasvati chegou ao palácio, o Rei, ao olhar-la, sentiu um conflito profundo. Ele a achou magnífica, mas pensou: "Se eu a tomar como esposa, o povo dirá que seu Rei é escravo da luxúria, pois escolheu uma mulher de casta inferior apenas pela aparência".
O Conflito
Para provar sua virtude e autocontrole, o Rei decidiu-se a casar com ela e a entregou ao próprio Satyavrata, dizendo: "Já que você a descobriu e a louvou, ela será sua".
O tempo passou. Satyavrata e Vilasvati viviam felizes, mas o Rei começou a definir. Ele foi secretamente consumido pelo arrependimento e pelo desejo reprimido. Ele amou a mulher que dera ao seu súdito. Ao perceber que o Rei estava morrendo de tristeza, Satyavrata — por lealdade absoluta — ofereceu-se para se divorciar dela ou até se matar para que o Rei pudesse possuir-la sem desonra. O Rei decidiu, pois não queria construir sua felicidade sobre a ruína de seu fiel amigo. No fim, ambos (Rei e Cortesão) terminaram em um estado de sofrimento extremo por causa dessa "nobreza" mútua.
O Dilema do Vetala
O Vetala, balançando-se nos ombros de Vikram, pergunta: "Diga-me, ó seguranças Rei: Quem foi o mais tolo ou quem agiu de forma mais errada nesta situação? Foi o Rei que reprimiu seu desejo por orgulho, o cortesão que ofereceu sua esposa por lealdade, ou a moça que aceitou o destino calada? Se você não responder, sua cabeça se fará em pedaços!"
A Resposta do Rei Vikram
Vikram, sempre pragmático, responde:
“O mais tolo e preocupado foi o Rei .
A Reflexão de Zimmer
Zimmer usa este conto para discutir a Sombra da Virtude .
A Falsa Moralidade: O Rei Shudraka tentou ser "perfeito" aos olhos da sociedade, mas essa perfeição era oca. Zimmer argumenta que a repressão da natureza humana (o desejo por Vilasvati) gera um veneno que afeta tanto o indivíduo quanto aqueles ao seu redor.
O Ego e a Opinião Pública: O Rei agiu para proteger sua imagem, não por princípios reais. Isso mostra como o Ego pode se esconder atrás de atos “generosos” para evitar o julgamento alheio.
A Honestidade com o Destino: A lição aqui é que devemos ser honestos com nossas inclinações. O Rei deveria ter aceitado Vilasvati com coragem ou renunciado a ela sem amargura. Ao ficar no meio do caminho, ele destruiu a paz de todos.
Como sempre, mal o Rei Vikram termina de expor essa falha moral do Rei Shudraka, o Vetala solta sua gargalhada, desprende-se do cadáver e voa de volta para a árvore de sândalo.


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